Vitae Civilis - Cidadania e Sustentabilidade

Juventude se mobiliza para reconhecer a importância da Carta da Terra

Arena lotada de jovens de todas as idades corrobora a ideia de que o documento é atual, válido e que poderá ser um norte para a transformação ética que a crise atual demanda

Por Carolina Ramalhete e Barbara Gonçalves

Aproximadamente mil e quinhentas pessoas estiveram presentes na Plenária 5 do Aterro do Flamengo na manhã do dia 18 de junho, para assistir ao Seminário Juventude e a Carta da Terra. Dentre os convidados estavam Moacir Gadotti, pedagogo que participou da criação do documento há mais de uma década, Marina Silva, liderança socioambiental , o professor e parlamentar Cristovam Buarque, Severn Suzuki, a menina que emocionou o mundo com seu discurso em 1992, Norah Mahmoud, que lidera juventudes ambientalistas no Canadá, Letícia Sabatella, atriz e militante ambiental e Thiago Machado, da International Cocoa Organization.
As falas dos presentes emocionaram a todos, trouxeram reflexões e convocaram a juventude a se unir, em uma rede de sonho e realização, para que a Carta da Terra se consolide como um documento norteador da transformação do mundo e da humanidade, em um lócus de sustentabilidade que abriga uma grande “comunidade viva”.
A Carta da Terra começou a ser pensada em 1992, por iniciativa das Nações Unidas, mas foi desenvolvida e finalizada pela sociedade civil global. Teve a sua primeira versão divulgada em 2000, pela entidade internacional Comissão da Carta da terra, configurando-se como um código de ética para a humanidade.

“Em minhas conversas com Paulo Freire ele mencionou diversas vezes que sua pedagogia do oprimido carecia de um complemento que falasse da Terra, pois o planeta estava em situação de opressão. A Carta da Terra traz diretrizes éticas e supera a visão antropocêntrica do desenvolvimento sustentável”, disse o pedagogo Moacir Gadotti. Ele ressaltou ainda que: “Nos últimos vinte anos, nós avançamos na ampliação da consciência global sobre a crise. Agora temos que avançar para a meta comum: um mundo mais feliz, justo e sustentável”.

A manhã foi marcada por histórias e convocações. “Há muito eu aprendi que a existência do homem, dos índios, foi fundamental para o desenvolvimento das florestas”, disse Letícia Sabatella. “Sim, a Terra é sagrada e o homem é sagrado também. Temos que reconhecer e assumir esse nosso lugar sagrado no mundo”.

Em seguida, Svern Suzuki relatou encantamento com a volta ao Rio. “Há vinte anos eu vim aqui pelo meu futuro. Hoje eu venho pelo futuro de meus filhos”, disse a ativista canadense. “Hoje eu entendo porque todo mundo parou para ouvir uma garota de doze anos. Ao me ouvir, em 1992, eles se lembraram de seus próprios filhos”.

Suzuki destacou a importância e também as limitações do tema da governança: “Eu acredito na participação cidadã. Mas também sei que não é suficiente, hoje, para que nossas demandas cheguem a quem está no poder”.

Ela, então, retomou a importância da Carta como um guia ético: “Eu espero que aqui na Rio+20 haja um diálogo honesto e que fique claro quem coloca as diretrizes que guiam o que acontece no mundo, pois o que vemos é o crescimento do mundo coorporativo. Fala-se muito em economia verde, mas eu pergunto: como vamos reestruturar a economia sem antes discutir valores? Os políticos de alto nível não vão mudar o mundo para nós. Se nós queremos mudança, teremos que ser responsáveis por ela”.

Cristovam Buarque também falou de mudança e da responsabilidade de se rever valores e projetos de mundo. Enfatizou o papel da transição de uma mentalidade em que o crescimento econômico é desejado como meta infindável: “Não precisamos de mais usinas hidrelétricas, precisamos, na verdade, reduzir o consumo. Precisamos sim é do decrescimento!”.

Marina Silva, por sua vez, citou os recentes retrocessos das negociações mundiais e nacionais sobre sustentabilidade e enfatizou a importância de sermos uma nação que servirá de exemplo para o mundo na transição para a sustentabilidade. “Dizem que os jovens não são pragmáticos, que são sonhadores, por isso não realizam nada. Mas sem uma juventude sonhadora, não teríamos instituído a democracia no País”, disse a líder ambientalista. Marina convocou a juventude para o sonho e para a ação. Segundo ela, os jovens serão os responsáveis por transformar a realidade. E, dizendo isso, levou centenas de pessoas às lágrimas e às palmas.

O Seminário foi marco para a inserção da juventude na Rede Brasileira da Carta da Terra, que pretende ser arcabouço de muitos encontros, debates e mobilizações no período que se segue à Cúpula dos Povos. O encontro foi encerrado com um canto tradicional indígena, em coro, que trata do reconhecimento do planeta como “Mãe”. As vozes preenchiam o espaço, os pés soavam como percussão, fazendo a Terra vibrar na toada dos corações unidos.

Rio+20: versões do texto oficial

Rascunho Zero
Apresentado pela ONU em janeiro

 

"Rascunho 1"
Resultado das negociações informais em Nova York, apresentado em maio

 

Texto final NY
Apresentado em 2 de junho, é o rascunho que abriu negociações no Rio de Janeiro

 

Texto brasileiro
Apresentado em 16 de junho, no Rio de Janeiro

 

Proposta final
Apresentado em 19 de junho, no Rio de Janeiro, aguarda aprovação do Segmento de Alto Nível

 

Quadro comparativo
As duas últimas versões comparadas, lado a lado, parágrafo a parágrafo


Outros documentos:


Declaração Universal dos Direitos Humanos

Publicada pela ONU, em 1948


Declaração de Estocolmo

Resultado da primeira reunião da ONU sobre meio ambiente, em 1972


Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

Resultado da Rio-92


Saiba mais

Visite também:

logo vitae civilis na rio mais 20

logo comunidade de aprendizagem psa 72dpi

OXC 3COR

logo radar rio201

logo comite paulista para a rio mais 20 300dpi

logo clima e consumologo rede dos mananciais site

green economy coalition

logo sls

logo agenda 21

cidadessolares logo

logo tictac 2010 horiz sem site

logo vc na cop

Conheça as novas publicações do Vitae Civilis

Download gratuito das seguintes publicações:

 

capa juntando as pecas

 

Capa Assembling the Puzzle

 

capa definindo uma nova economia

 

capa dialogos nacionais

 

Rio+20: as informações essenciais

2ª Edição - Abril 2012

Publicação do Vitae Civilis com apoio da Fundação Ford, disponível em Inglês e Português, tem como objetivo incentivar e apoiar a participação da sociedade civil na Rio+20 e nos muitos processos em torno dela.


Saiba mais sobre a Rio+20

Artigos de autoria:

E no Nossa Brasília, como vamos?
Por Carolina Ramalhete

Leia aqui o artigo

A chave das mulheres

Por Juana Lucini - Assessora de Políticas e Advocacy - OXFAM

Leia aqui o artigo

Juventude se mobiliza para reconhecer a importância da Carta da Terra
Por Carolina Ramalhete e Barbara Gonçalves

Leia aqui o artigo 
A lambança brasileira
Por Samuel Gabanyi, com colaboração de Rubens Born e Silvia Dias

Leia aqui o artigo 
E se não chegarem a um acordo?
Por Samuel Gabanyi , assessor de Processos Internacionais do Vitae Civilis

Leia aqui o artigo
Sociedade Civil atuante na governança da sustentabilidade sócio-ambiental nas esferas global, nacional e local

_ Vitae Civilis

oxfam cresca 200x300