Juventude se mobiliza para reconhecer a importância da Carta da Terra
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- Publicado em Terça, 19 Junho 2012 17:42
Arena lotada de jovens de todas as idades corrobora a ideia de que o documento é atual, válido e que poderá ser um norte para a transformação ética que a crise atual demanda
Por Carolina Ramalhete e Barbara Gonçalves
Aproximadamente mil e quinhentas pessoas estiveram presentes na Plenária 5 do Aterro do Flamengo na manhã do dia 18 de junho, para assistir ao Seminário Juventude e a Carta da Terra. Dentre os convidados estavam Moacir Gadotti, pedagogo que participou da criação do documento há mais de uma década, Marina Silva, liderança socioambiental , o professor e parlamentar Cristovam Buarque, Severn Suzuki, a menina que emocionou o mundo com seu discurso em 1992, Norah Mahmoud, que lidera juventudes ambientalistas no Canadá, Letícia Sabatella, atriz e militante ambiental e Thiago Machado, da International Cocoa Organization.
As falas dos presentes emocionaram a todos, trouxeram reflexões e convocaram a juventude a se unir, em uma rede de sonho e realização, para que a Carta da Terra se consolide como um documento norteador da transformação do mundo e da humanidade, em um lócus de sustentabilidade que abriga uma grande “comunidade viva”.
A Carta da Terra começou a ser pensada em 1992, por iniciativa das Nações Unidas, mas foi desenvolvida e finalizada pela sociedade civil global. Teve a sua primeira versão divulgada em 2000, pela entidade internacional Comissão da Carta da terra, configurando-se como um código de ética para a humanidade.
“Em minhas conversas com Paulo Freire ele mencionou diversas vezes que sua pedagogia do oprimido carecia de um complemento que falasse da Terra, pois o planeta estava em situação de opressão. A Carta da Terra traz diretrizes éticas e supera a visão antropocêntrica do desenvolvimento sustentável”, disse o pedagogo Moacir Gadotti. Ele ressaltou ainda que: “Nos últimos vinte anos, nós avançamos na ampliação da consciência global sobre a crise. Agora temos que avançar para a meta comum: um mundo mais feliz, justo e sustentável”.
A manhã foi marcada por histórias e convocações. “Há muito eu aprendi que a existência do homem, dos índios, foi fundamental para o desenvolvimento das florestas”, disse Letícia Sabatella. “Sim, a Terra é sagrada e o homem é sagrado também. Temos que reconhecer e assumir esse nosso lugar sagrado no mundo”.
Em seguida, Svern Suzuki relatou encantamento com a volta ao Rio. “Há vinte anos eu vim aqui pelo meu futuro. Hoje eu venho pelo futuro de meus filhos”, disse a ativista canadense. “Hoje eu entendo porque todo mundo parou para ouvir uma garota de doze anos. Ao me ouvir, em 1992, eles se lembraram de seus próprios filhos”.
Suzuki destacou a importância e também as limitações do tema da governança: “Eu acredito na participação cidadã. Mas também sei que não é suficiente, hoje, para que nossas demandas cheguem a quem está no poder”.
Ela, então, retomou a importância da Carta como um guia ético: “Eu espero que aqui na Rio+20 haja um diálogo honesto e que fique claro quem coloca as diretrizes que guiam o que acontece no mundo, pois o que vemos é o crescimento do mundo coorporativo. Fala-se muito em economia verde, mas eu pergunto: como vamos reestruturar a economia sem antes discutir valores? Os políticos de alto nível não vão mudar o mundo para nós. Se nós queremos mudança, teremos que ser responsáveis por ela”.
Cristovam Buarque também falou de mudança e da responsabilidade de se rever valores e projetos de mundo. Enfatizou o papel da transição de uma mentalidade em que o crescimento econômico é desejado como meta infindável: “Não precisamos de mais usinas hidrelétricas, precisamos, na verdade, reduzir o consumo. Precisamos sim é do decrescimento!”.
Marina Silva, por sua vez, citou os recentes retrocessos das negociações mundiais e nacionais sobre sustentabilidade e enfatizou a importância de sermos uma nação que servirá de exemplo para o mundo na transição para a sustentabilidade. “Dizem que os jovens não são pragmáticos, que são sonhadores, por isso não realizam nada. Mas sem uma juventude sonhadora, não teríamos instituído a democracia no País”, disse a líder ambientalista. Marina convocou a juventude para o sonho e para a ação. Segundo ela, os jovens serão os responsáveis por transformar a realidade. E, dizendo isso, levou centenas de pessoas às lágrimas e às palmas.
O Seminário foi marco para a inserção da juventude na Rede Brasileira da Carta da Terra, que pretende ser arcabouço de muitos encontros, debates e mobilizações no período que se segue à Cúpula dos Povos. O encontro foi encerrado com um canto tradicional indígena, em coro, que trata do reconhecimento do planeta como “Mãe”. As vozes preenchiam o espaço, os pés soavam como percussão, fazendo a Terra vibrar na toada dos corações unidos.





















